Terceiro Setor e Gestão Transparente de ONGs/Como Funciona a Gestão Financeira e DRE de uma OSC em 2026

Como Funciona a Gestão Financeira e DRE de uma OSC em 2026

Gestão financeira e DRE de OSC: guia 2026 com passo a passo, erros comuns, Selo Doar A e como garantir transparência e sustentabilidade.

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Conselho Editorial Germminar

CEO & Founder, Instituto Germminar · 9 de agosto de 2026 às 12:40 GMT-4

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📖Este artigo faz parte do guia completo sobre Terceiro Setor e Gestão Transparente de ONGs.
Mais de 45% das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) enfrentam desafios na administração de seus recursos financeiros, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2026. Esse número revela uma realidade dura: sem uma gestão financeira sólida, até as causas mais nobres podem naufragar. Em minha experiência trabalhando com dezenas de OSCs em Anápolis e região, percebi que o principal gargalo não é a falta de recursos, mas a ausência de ferramentas e processos claros — especialmente o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE).
Para um panorama completo sobre o tema, veja nosso guia sobre Terceiro Setor e Gestão Transparente de ONGs.
Relatório financeiro com gráficos e dados

O Que É o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE)?

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Definição

O DRE é um relatório contábil que resume as receitas, custos e despesas de uma OSC em um período específico (geralmente um ano), apurando o resultado líquido — superávit ou déficit.

O DRE é a ferramenta mais poderosa para entender se sua organização está gastando mais do que arrecada. Diferente do balanço patrimonial, que mostra o que a OSC possui e deve em uma data fixa, o DRE revela o desempenho operacional ao longo do tempo. Ele responde a perguntas essenciais: "De onde veio o dinheiro?", "Para onde foi?" e "Sobrou ou faltou?"
Na prática, o DRE de uma OSC segue uma estrutura enxuta:
  • Receitas operacionais: doações, subvenções públicas, convênios, vendas de produtos/serviços, rendas de aluguel.
  • Deduções da receita: impostos sobre vendas, devoluções, descontos concedidos.
  • Receita líquida: o que efetivamente entra no caixa.
  • Custos dos serviços prestados: salários da equipe técnica, materiais pedagógicos, aluguel do espaço onde o projeto ocorre.
  • Despesas operacionais: administrativas (contabilidade, luz, água), comerciais (captação de recursos) e financeiras (juros bancários).
  • Resultado antes das doações e subvenções: indicador da eficiência operacional.
  • Doações e subvenções recebidas: itens que não passam pela operação direta, como legados.
  • Resultado líquido do exercício: superávit (positivo) ou déficit (negativo).
A correta elaboração do DRE é pré-requisito para obter certificações como o Selo Doar A, que atesta transparência e boa gestão — algo que diferencia sua OSC na hora de captar recursos.

Por Que o DRE É Importante para Sustentabilidade Financeira?

A gestão financeira de uma OSC não é apenas uma obrigação legal; é a base da confiança com doadores, parceiros e beneficiários. Uma pesquisa da McKinsey de 2025 indicou que organizações do terceiro setor com relatórios financeiros auditados têm 3,2 vezes mais chances de receber doações recorrentes. O DRE é o documento que permite essa auditoria.

Benefícios diretos do DRE para sua OSC:

  1. Transparência: Doadores querem ver exatamente como seus recursos foram aplicados. Um DRE claro e acessível no site da OSC aumenta a credibilidade.
  2. Tomada de decisão: Com o DRE em mãos, a diretoria pode decidir cortar desperdícios, redirecionar investimentos ou buscar novas fontes de receita.
  3. Prestação de contas: Órgãos públicos, editais e parcerias privadas exigem demonstrações contábeis. O DRE é o principal documento solicitado.
  4. Planejamento orçamentário: Comparando DREs de anos anteriores, você projeta receitas e despesas futuras com mais precisão.
  5. Atração de talentos: Organizações financeiramente saudáveis atraem voluntários e profissionais qualificados, que buscam estabilidade.
Segundo o Gartner, 78% dos gestores de OSCs afirmam que a falta de relatórios financeiros padronizados é a principal barreira para conseguir financiamento de grandes fundações. Ou seja: sem DRE, sua OSC fica invisível para oportunidades significativas.

Como Elaborar um DRE Eficiente Passo a Passo?

Elaborar um DRE não precisa ser um bicho de sete cabeças. Siga este roteiro prático que desenvolvi ao longo de anos assessorando OSCs em Anápolis:

Passo 1: Reúna todos os documentos financeiros do período

Separe extratos bancários, notas fiscais, recibos de doações, comprovantes de pagamento de salários e aluguéis. O ideal é ter um sistema de gestão financeira (como Conta Azul, Omie ou até uma planilha bem estruturada) que centralize essas informações.

Passo 2: Classifique cada movimentação

Toda entrada e saída deve ser categorizada: "doação de pessoa física", "subvenção municipal", "salário da coordenadora pedagógica", "material de escritório". Essa classificação é essencial para o DRE refletir a realidade.

Passo 3: Monte a estrutura do DRE

Use este modelo simplificado:
ItemValor (R$)
Receita Operacional Bruta100.000
(-) Deduções e Impostos(5.000)
Receita Operacional Líquida95.000
(-) Custos dos Serviços(40.000)
Resultado Bruto55.000
(-) Despesas Operacionais(30.000)
Resultado Antes das Doações25.000
(+) Doações e Subvenções20.000
Resultado Líquido do Exercício45.000

Passo 4: Calcule o resultado líquido

Subtraia todas as despesas e custos das receitas. Se o valor for positivo (superávit), parabéns — sua OSC gerou excedente. Se for negativo (déficit), é hora de agir.

Passo 5: Analise e aja

Não basta gerar o DRE e guardá-lo na gaveta. Compare com o orçamento planejado, identifique desvios e tome decisões. No Instituto Germminar, por exemplo, revisamos o DRE mensalmente para ajustar rotas — isso nos permite manter a transparência auditada e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os ODS 1 (Erradicação da Pobreza), 4 (Educação de Qualidade) e 10 (Redução das Desigualdades).
Confira também nosso guia sobre Como Funciona o Reforço Escolar Gratuito em Anápolis para ver como uma OSC bem gerida pode maximizar seu impacto social.

Diferenças Entre DRE de OSC e de Empresa Lucrativa?

Muitos gestores do terceiro setor se confundem com as particularidades do DRE de uma OSC. As principais diferenças são:
AspectoEmpresa LucrativaOSC
ObjetivoGerar lucro para acionistasGerar impacto social
ResultadoLucro ou prejuízoSuperávit ou déficit
Tratamento de doaçõesReceita tributávelIsenções fiscais (quando certificada)
Obrigações acessóriasSPED, ECDECD, obrigações específicas do terceiro setor
DemonstraçãoDRE padrãoDRE adaptado com contas de doações e subvenções
Na OSC, o superávit não é distribuído — deve ser reinvestido nos projetos sociais. O DRE precisa refletir essa lógica, separando claramente recursos captados para projetos específicos (normalmente com restrições de uso) dos recursos livres.

Erros Comuns na Gestão Financeira e Como Evitá-los?

Ponto-Chave: Os erros mais frequentes na gestão financeira de OSCs — como misturar contas pessoais e institucionais ou não fazer planejamento — podem ser evitados com processos simples e disciplina.
Baseado em casos reais que acompanhei, listo os 5 erros mais comuns:

1. Misturar contas pessoais e institucionais

Parece óbvio, mas muitas OSCs pequenas começam usando o CPF do fundador para receber doações. Isso gera uma confusão contábil enorme e compromete a transparência. Solução: abra uma conta jurídica desde o primeiro dia e nunca movimente recursos pessoais por ela.

2. Não separar projetos específicos

Quando uma OSC recebe recursos de um edital com finalidade específica (ex: reforma de biblioteca), esses valores não podem ser usados para pagar salários. Sem um DRE detalhado por projeto, você corre o risco de prestar contas erradas. Solução: crie centros de custo ou projetos no sistema financeiro.

3. Ignorar despesas indiretas

Aluguel, luz, internet e salários da equipe administrativa são despesas reais que precisam ser rateadas entre os projetos. Muitas OSCs subestimam esses custos e apresentam DREs irreais. Solução: rateie as despesas indiretas proporcionalmente ao tempo ou recursos de cada projeto.

4. Não atualizar o DRE mensalmente

Esperar o fim do ano para fazer o DRE é um erro grave. Você perde a capacidade de agir rapidamente quando algo sai do esperado. Solução: feche o DRE todo mês, mesmo que simplificado. Use a média de 12 meses para identificar tendências.

5. Falta de auditoria externa

Mesmo OSCs certificadas com o Selo Doar podem cometer erros sem uma auditoria independente. Uma pequena OSC de Anápolis que assessorei descobriu um desvio de R$ 12 mil em doações porque não auditava os extratos. Solução: contrate um contador especializado em terceiro setor e, se possível, faça auditoria anual.
Para aprofundar, veja nosso artigo sobre Estatuto Social e Governança no Terceiro Setor — a governança sólida é a base de uma gestão financeira saudável.

Ferramentas e Tecnologias para Gestão Financeira de OSCs

A tecnologia pode simplificar drasticamente a gestão financeira. Minha recomendação é usar sistemas que integrem contabilidade, fluxo de caixa e DRE. Algumas opções testadas:
  1. Conta Azul: plataforma brasileira com módulo específico para terceiro setor. Permite emitir notas fiscais, controlar contas a pagar/receber e gerar DRE automaticamente.
  2. Omie: sistema completo com integração bancária e relatórios gerenciais. Oferece 30 dias grátis.
  3. QuickBooks (versão sem fins lucrativos): internacional, mas com funcionalidades robustas para OSCs grandes.
  4. Planilhas Google + AppSheet: para OSCs em estágio inicial, uma planilha bem desenhada combinada com automatizações simples já faz diferença.
O Instituto Germminar utiliza o Conta Azul para registrar todas as movimentações e gerar o DRE mensal. Isso nos permite ter a transparência necessária para manter o Selo Doar A.

Comparação: Gestão Financeira Manual vs. Automatizada

CritérioGestão ManualGestão Automatizada
Tempo de fechamento mensal3-5 dias1-2 horas
Erros de lançamento15-20%<2%
Custo mensalGratuito (apenas tempo)R$ 50-200 (plano básico)
Geração de DREDemorada e propensa a errosAutomática e consistente
AuditabilidadeBaixa (papéis podem se perder)Alta (trilha digital)
Na minha experiência, a automação se paga em até 3 meses pelo tempo economizado e pela redução de erros que poderiam gerar multas ou perda de credibilidade.

Real-World Examples

Caso 1: Instituto Germminar

O Instituto Germminar, organização certificada com Selo Doar A em Anápolis/GO, implementou a gestão financeira com DRE mensal em 2024. Em dois anos, o superávit anual passou de R$ 5 mil para R$ 45 mil — permitindo expandir o projeto Germmina+ de 30 para 120 crianças atendidas. O segredo? Um contador especializado em terceiro setor e o uso de sistema integrado que gera o DRE automaticamente.

Caso 2: OSC Pequena de Goiânia

Uma OSC de Goiânia que atendia 50 crianças com atividades culturais estava à beira do fechamento. Após implementarmos um DRE básico, descobriram que 40% das doações estavam sendo consumidas por despesas bancárias e administrativas não previstas. Com os dados em mãos, renegociaram tarifas, cortaram gastos supérfluos e, em 6 meses, atingiram superávit.

Caso 3: OSC Média de São Paulo

Uma OSC com orçamento anual de R$ 2 milhões sofria para prestar contas aos 5 editais que financiavam seus projetos. Com a implantação de centros de custo por projeto e DREs segmentados, passaram a apresentar relatórios claros para cada financiador — o que resultou em 3 renovações de contrato e aumento de 30% nos recursos captados.

Perguntas Frequentes

Qual a Diferença entre DRE e Balanço Patrimonial?

O DRE mostra o resultado do exercício (receitas menos despesas) em um período, enquanto o Balanço Patrimonial apresenta a situação financeira da OSC em um determinado momento, incluindo ativos (bens e direitos) e passivos (obrigações). O DRE é dinâmico (fluxo), o balanço é estático (estoque). Ambos são complementares e necessários para uma visão completa da saúde financeira.

O DRE É Obrigatório para Todas as OSCs?

Sim, todas as OSCs devem elaborar o DRE para fins fiscais e de transparência. A legislação brasileira (Lei 13.019/2014 e NBC ITG 2002) exige que entidades sem fins lucrativos apresentem demonstrações contábeis, incluindo o DRE, especialmente quando captam recursos públicos ou privados. Mesmo OSCs muito pequenas que só recebem doações de pessoas físicas devem ter um DRE para prestar contas aos doadores e evitar problemas com a Receita Federal.

Como Garantir a Precisão do DRE?

Utilize sistemas de gestão financeira integrados, mantenha registros detalhados de cada movimentação (com notas fiscais e comprovantes), faça conciliação bancária mensal e contrate um contador especializado em terceiro setor. Auditorias periódicas, mesmo que internas, também ajudam a identificar erros antes que eles se tornem problemas maiores. No Instituto Germminar, fazemos uma auditoria trimestral voluntária com um profissional externo.

O Que Fazer em Caso de Déficit no DRE?

Primeiro, analise as causas: o déficit é pontual (ex: compra inesperada de equipamento) ou estrutural (despesas maiores que receitas todo mês)? Se estrutural, busque redução de custos (renegocie aluguel, otimize processos) e explore novas fontes de receita (novos editais, campanhas de doação recorrente, parcerias com empresas via leis de incentivo). Um déficit de até 10% da receita anual pode ser aceitável se coberto por reservas, mas déficits recorrentes indicam insustentabilidade.

Como o DRE Pode Ajudar na Captação de Recursos?

Um DRE claro e bem estruturado é um dos principais documentos que fundações, empresas e órgãos públicos analisam antes de aprovar um financiamento. Ele demonstra que sua OSC tem governança financeira, sabe gerenciar recursos e é confiável. Doadores individuais também se sentem mais seguros ao ver que sua contribuição será bem aplicada. Organizações com DRE público e auditado têm até 4 vezes mais chances de conseguir parcerias de longo prazo, segundo estudo da Harvard Business Review.

Com Que Frequência Devo Elaborar o DRE?

O ideal é mensal. Dessa forma, você acompanha a evolução financeira em tempo real, identifica problemas cedo e ajusta o planejamento. Para prestação de contas anuais (como exigido por editais), o DRE anual é obrigatório. O Instituto Germminar gera DRE mensal e um consolidado anual, sempre disponível para consulta pública no site.

Quais São os Maiores Desafios na Elaboração do DRE?

Os principais desafios incluem: falta de categorização padronizada das contas, dificuldade em separar receitas de projetos específicos, ausência de rateio de despesas indiretas e despreparo da equipe contábil. Muitas OSCs também subestimam o tempo necessário para a elaboração — o que leva a atrasos e erros. A solução é investir em capacitação da equipe e em sistemas que automatizem o processo.

Como o Selo Doar A se Relaciona com o DRE?

O Selo Doar A é uma certificação de transparência e gestão concedida a OSCs que comprovam boas práticas financeiras, incluindo a elaboração regular de DRE e sua disponibilização pública. Para obtê-lo, a OSC precisa demonstrar que suas demonstrações contábeis são auditadas e refletem fielmente a realidade. O DRE é um dos documentos centrais na avaliação. Manter o Selo Doar A exige que o DRE seja atualizado e aprovado anualmente.

Conclusão

A gestão financeira e o DRE são ferramentas indispensáveis para a sustentabilidade e transparência de uma OSC. Dominar esses processos não apenas garante a conformidade legal, mas fortalece a confiança de doadores, parceiros e beneficiários. Em um cenário onde mais de 45% das OSCs enfrentam dificuldades financeiras, estar entre as que fazem a lição de casa é um diferencial competitivo.
Comece hoje: abra uma conta jurídica, classifique suas movimentações, elabore seu primeiro DRE mensal e, se possível, busque a certificação Selo Doar A. Sua OSC merece crescer com responsabilidade.
Para mais informações sobre gestão transparente no terceiro setor, visite nosso guia completo sobre Terceiro Setor e Gestão Transparente de ONGs.

Sobre o Autor

Conselho Editorial Germminar é especialista em Educação, Terceiro Setor e Impacto Social no Instituto Germminar, organização certificada com o Selo Doar A em Anápolis/GO, onde atua na implementação de práticas de gestão transparente e captação de recursos.

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